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21 de jun. de 2011

Contos infantis






Branca de Neve e os sete anões (irmãos Grimm).

Era uma vez, em pleno inverno, enquanto flocos de neve caiam leves como pena, uma rainha costurava, sentada próxima a janela. E assim costurando e levantando os olhos para observar a neve distraída furou o dedo com a agulha e caíram três gotas de sangue na neve branca.

Observando a neve ela pensou: _Queria ter uma filha branca como a neve, vermelha como o sangue e de cabelos negros como a madeira da janela.

Logo depois deu a luz a uma filha branca como a neve, vermelha como o sangue e de cabelos negors como o ébano;  e a chamou de Branca de Neve.
E logo após o nascimento de Branca de Neve a rainha faleceu.

Após um ano o rei casou-se com outra mulher; era bonita, soberba e prepotente, e não aceitava que ninguém fosse mais bela que ela.

Tinha um espelho mágico, e quando se espelhava dizia: 
_Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu?
E o espelho repondia: No reino majestade, é você a mais bela.
E ela era contente, porque sabia que o espelho dizia a verdade.
Ma Branca de Neve crescia, e ficava cada dia mais bonita e a sete anos era maravilhosa como a luz do dia.
Uma vez a rainha perguntou ao espelho:
Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonito do que eu?
Da parede o espelho respondeu: você é muito bonita majestade, mas Branca de Neve é mais bonita ainda.
A rainha suspirou e ficou verde de inveja.
E daquele momento a visão de Branca de Neve lhe fazia raiva, tanto que ela odiava a menina.
E a inveja e o orgulho cresceram como erva daninha, e assim a rainha não teve paz nem de dia nem de noite.

Então ela chamou um caçador e lhe disse:
_Leva a menina no bosque, não quero mais vê-la. Mata, e me mostra os pulmões e o figado como prova da sua morte.
O caçador obedeceu e conduziu a menina longe; mas quando arrancou a faca para mata-la ela começou a chorar e disse:
_Ah, caro caçador, deixe-me viver! Correrei na floresta selvagem e não voltarei nunca mais.
E ela era assim bela que o caçador disse, comovido:
_ Vai, pobre menina. "Os animais ferozes te comeram rapidamente nesse bosque", pensava; mas sentia que isso tirava um grande peso do seu coração, e não deveria mata-la.
Enquanto voltava ao castelo caçou um porco do mato, o abriu, e tirou os pulmões e o figado e levou a rainha como prova.
O cozinheiro teve que salga-los e cozinha-los, e a maldita rainha os comeu, acreditando que eram de Branca de Neve.
Agora a pobre menina era sozinha no bosque e tinha tanto medo que se assustava até com as folhas das arvores e não sabia o que fazer.
Começou a corre e correr nas pedras afiadas e entre os espinhos; os animais ferozes passavam perto, mas sem fazer nem um mal a pobre menina.
Correu até que cansou as pernas; era quase noite, quando viu uma casinha e entrou para proteger-se.
Na casa tudo era pequeno, mas muito limpo e organizado.
Tinha uma mesa arrumada com sete pratos: cada prato com sua colherzinha, e sette faquinhas, sete garfinhos e sete copinhos.
Na parede, um no lado do outro, tinham sete caminhas, cobertas com lençóis branquinhos.
Branca de Neve tinha muita fome e muita sede, que comeu um pouco de verdura com pão de cada pratinho, e bebeu uma gota de vinho de cada copo, porque não queria comer tudo de um só e deixa-lo com fome.
E depois era completamente cansada que se deitou em uma caminha mas em nenhuma estava a vontade: o muito grande ou muito pequena, até que a sétima foi perfeita: deitou, rezou e dormiu. Quando a noite chegou junto a ela chegaram os donos da casa: eram os sete anões, que cavavam os minerais das montanhas.
acenderam sete velinhas e, quando a casinha foi iluminada, viram que tinha entrado alguém; porque não estava organizado como eles haviam deixado.
O primeiro disse:
_Quem sentou na minha caderinha?





O segundo: Quem comeu do meu pratinho?
O terceiro: Quem comeu um pouco do meu pãozinho? 
O quanto: Quem comeu um pouco da minha verdura?
O quinto: Quem usou o meu garfinho?
O sexto:  Quem cortou com minha faquinha?
O setimo: Quem bebeu do meu copo?
Então o primeiro observou ao seu redor, e viu que sua cama era um pouco bagunçada e disse:
_Quem bagunçou a minha caminha? 
Os outros em coro também gritaram: _ Também na minha caminha esteve alguém.
Mas o sétimo correu na sua caminha e encontrou Branca de Neve adormentada.
Chamou os outros, e todos se alegraram maravilhados e com suas velinhas iluminaram Branca de Neve.






_Ah, meu Deus! ah, meu Deus! exclamaram: _ Que menina linda!
E eram tão contentes que não a acordaram e deixaram-na dormir na caminha.
O sétimo anão dormiu com seus companheiros e deixaram Branca de neve repousar.
De manhã, Branca de Neve se acordou e se assustou vendo os sete anões.
Mas eles perguntaram gentilmente:_ Como você se chama? _Mi chamo Branca de Neve, _repondeu._Como você chegou na nossa casinha? perguntaram ainda os sete anões.
Ela contou que sua madrasta queria que a matassem, mas o caçador ha haviam deixado viva e ela correu por um dia inteiro, até que encontrou a casinha.
Os anões disseram: _Se quiser tomar conta de nossa casa, cozinhar, arrumar as caminhas, lavar e colocar tudo em ordem e bem limpo, você pode ficar conosco, e não te faltará nada.
_Sim - disse Branca de Neve, de coração.
E ficou com eles;
Arrumava a casa de manha enquanto eles andavam até as montanhas, a procura de minerais e de ouro, de noitinha voltavam, a a janta era pronta. de dia a pequenina estava sozinha. Mas a rainha, contente de ter comido os pulmões e o figado de Branca de Neve, não pensava em outra coisa, se não que ela era a primeira e mais bonita; andou ao seu espelho mágico e lhe disse:
_Espelho, espelho meu, exite no reino alguém mais bonita do que eu?
E o espelho respondeu: _Rainha a mais bonita aqui é você; mas ao de la dos montes, junto com os sete anões, Branca de Neve é muito mais bela.
A rainha envermelheceu, porque sabia que o espelho não mentia nunca, e descobriu que o caçador a havia enganada e Branca de Neve ainda era viva.
E então pensou de novo como faria para mata-la, pois ela deveria ser a mais bela de todo o país.
Pensa e repensa, finalmente maquiou o rosto e se fantasiou como uma velha vendedora, em modo de não ser reconhecida. E assim transformada, passou os sete montes até chegar a casa dos sete anões, bateu na porta e gritou.
_Coisas gostosas, quem compra! quem compra!- Branca de Neve deu uma olhada da janela e gritou:
_Bom dia, boa senhora, o que tem pra vender?
_Coisa boa, coisa bonita, - respondeu a velha, - Fitas de todas as cores -. E te mostro uma, de seda colorida.
"Essa boa senhora posso deixar entrar", pensou Branca de Neve; abriu a porta e se comprou uma bela fita colorida.
_Menina, - disse a velha, - Como esta vestida! Vem, desta vez te mostro eu como se coloca.
A menina colocou-se em frete a senhora com confiança e deixou amarrar o laço: mas a velha apertou tão forte e assim rapidamente que Branca de neve sufocou e caiu morta.
_Agora você foi a mais bela. - disse a rainha, e foi embora.
Logo se fez noite e os sete anões tornaram: assustados viram Branca de Neve jogada à terra, dura, como se fosse morta!
A levantaram e, vendo que a fita era muito apertada, cortaram o nó.
Então ela começou a respirar e levemente pouco a pouco se reanimou.
Quando os anões escultaram o fato ocorrido, lhe disseram:
_ A velha vendedora era a rainha; fique atenta, e não deixe entrar mais ninguém só quando estivermos em casa. 
Mas a malvada rainha, assim que chegou em casa, foi ao espelho e perguntou ao espelho:
_Espelho, espelho meu, existe alguém no reino mais bonita do que eu?
Da parede o espelho responde: _ Como sempre a mais bela e sempre Branca de Neve.
Com essas palavras, o sangue tomou conta do rosto da rainha de susto, porque viu que Branca de Neve ainda era viva.
"Mas desta vez, pensou _ Encontrarei alguma coisa que será o fim para ela"; e, visto que a rainha conhecia a bruxaria, preparou um pente venenado. Se transformou em uma outra velha. Passou os sete montes até chegar a casa dos sete anões, bateu na porta e gritou:
_Coisas bonitas! coisas belas!
Branca de Neve olhou fora e disse:
_Não obrigada, não posso deixar entrar niguém.
_ Mas olhar você pode!- disse a velha; tirando fura o pente venenado e mostrando.
A menina gostou tanto que se deixou seduzir e abriu a porta.
Concluída a compra a velha disse:
-Agora quero te fazer um penteado lindo-.
A pobre Branca de Neve, sem suspeitar, deixou; mas apenas a velha colocou o pente nos seus cabelos o veneno agiu e a menina caiu perdendo todos os sentidos.
_Contente a rainha disse: _Acabou pra você! e se foi.
Mas por sorte era quase noite e os sete anões estavam para voltar. Quando viram Branca de Neve jogada como morta, assustaram-se e suspeitaram logo da madrasta, procuraram e encontraram um pente venenado; logo que tiraram o pente, Branca de Neve tornou em si e contou o ocorrido.
De novo recomendaram que ela não abrisse a porta a mais ninguém.
Em casa, a rainha se colocou em frente ao espelho e disse:
_Espelho, espelho meu, existe alguém no reino mais bonita do que eu?
E o espelho responde:
_Minha rainha, a mais bela ainda é Branca de Neve, que vive com os sete anões depois das sete montanhas.
A tais palavras a rainha tremeu de raiva.
_Branca de Neve morrerá, -gritou, - mesmo que me custe a vida.
Andou em uma sala secreta onde não entrava ninguém e preparou uma maçã envenenada.
Por fora era de aspecto bonito, branca e vermelha, que dava água na boca somente de ver, mas quem comia um pedaço, morreria.
Quando a maçã ficou pronta, ela se fantasiou de camponesa, e assim passou os sete montes até a casa dos sete anões.
Bateu na porta, Branca de neve olhou pela janela e disse:
_Não posso deixar entrar ninguém, os sete anões me proibiram.
_Não importa, - respondeu a camponesa, - as minhas maçãs vendo do mesmo jeito. Pega, vou te presentear uma.
_Não, - respondeu Branca de Neve, - não posso aceitar nada.
_Tem medo de veneno? - disse a camponesa. - Observa, divido a metade: tu come a metade vermelha, e eu aquela branca.
A maçã foi feita com tanto cuidado que somente a metade vermelha era envenenada. 
Branca de Neve comia com os olhos a apetitosa maçã, e quando viu que a camponesa comia tranquila, não resistiu, estendeu a mão e pegou a metade envenenada.





Na primeira mordida caiu ao chão morta.
A rainha observou detalhadamente e correu rindo.
-Branca como a neve, vermelha como o sangue, preta como o ébano! Dessa vez os anões não conseguiram acorda-la.
Em casa a rainha perguntou ao espelho:





Espelho, espelho meu, existe alguém no reino mais bonita do que eu?
E finalmente o espelho respondeu: _No reino, majestade, você é a mais bonita.
Só assim o coração invejoso da rainha encontrou paz, se exite pais para um coração invejoso.
Os anões, voltando à casa, encontraram Branca de Neve jogada a terra, e não respirava, era morta. Levantaram-a, procuraram se tinha algum veneno perto, observaram o vestido, pentearam seus cabelos, deram banho na menina com água e vinho, mas inutilmente: o rosto da menina era morto e não se acordou.  
Colocaram-na em um banco grande, e a circundaram e choraram por três dias. Depois disseram: _ Não podemos enterra-la na terra preta,-e fizeram um caixão de cristal, de modo que se pudesse vê-la de todos os lados,  colocaram um epitáfio com seu nome em letras de ouro, e escreveram era filha do rei. Depois colocaram o caixão de cristal sobre um monte e um deles ficava sempre vigiando. E também os animais vinham chorar a morte de Branca de neve: primeiro uma coruja, depois um corvo e enfim uma borboleta. Branca de Neve ficou muito tempo, vermelha como o sangue e preta como o ébano.
Mas um belo dia apareceu no bosque um príncipe que foi à casa dos sete anões.
Viu o tumulo sobre o monte e a bela Branca de Neve e leu as letras de ouro.
Então disse aos anões:_Dei-me o tumulo e como recompensa darei o que quiserem- mas os anões responderam: _ Não a trocamos nem por todo o ouro do mundo.
_Então me deem de presente- disse o príncipe- Não posso viver sem ver Branca de Neve: quero onera-la, exalta-la como a coisa mais valiosa do mundo.
Ao sentir-lo, os bons anões se comoveram e presentearam o tumulo.
O príncipe ordenou seus servos que carrega-la nas costas. Só que ao tentar carregar tropeçaram e deixaram cair, assim o pedaço de maça venenada que comera Branca de Neve saiu de sua garganta.
E pouco depois ela abriu os olhos, abriu a tampa e se levantou: tinha voltado à vida. 
_Ah Deus, Onde estou? - Gritou.
O príncipe disse, cheio de alegria: _ Estais comigo, - e lhe contou o que tinha ocorrido, completando: _ Ti amo sobre qualquer coisa do mundo; vem comigo no meu castelo, serais a minha esposa. -Branca de Neve consentiu  e andou com ele, e foi ordenado o casamento com muito esplendor.
Mas no final convidaram também a maldita madrasta de Branca de Neve. Ela andou em frente ao espelho e disse:
Espelho, espelho meu, existe alguém no reino mais bonita do que eu?
_Rainha, a mais bela é a esposa.
A maldita rainha era tão chateada que não conseguindo conter sua raiva não queria ir ao casamento; mas não encontrou paz e foi ver a jovem rainha.
Entrando, reconheceu Branca de Neve e congelou de susto e de horror.
Mas eram já prontas duas sandálias de ferro: colocaram em frete a rainha e ele teve que usar as sandálias pesadas e dançar, até que caísse a ao chão morta.


Branda de Neve de Jachob e Wilhelm Grimm

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